Sobre o poema do amigo: mais um comentário que um post
Por Dimas Gomez.
Ainda assim um post porque escrevo aqui coisas importantes. E talvez nem deveria, que ficassem guardadas para um texto DE VERDADE. Mas vai pra perder medo da crônica, do blogging, da opinião. Aprendi a tremer diante dessa palavra… Opinião… minha? Está bem, chega. Aqui vai.
Fernanda, obrigado pelo comentário! Disse que havia nele algo mais…
É claro que há algo mais:
Natureza humana.
Ninguém fala de si
sem falar dos pais.
E de todo o resto. Cada sorriso, cada gesto deixa indeléveis marcas que exalam a cada mero movimento. É da natureza humana esquecer, mas não é da alma uma prática muito comum. Porque ela É essa memória. Uma memória obscura e confusa, um sonho semipesadelo, um flash rapsódico. E é com dificuldade que um ator, ou autor, deixa de lado algumas impressões, num esforço de dançarino performático, e favorece outras, aquelas que trarão coerência e sentido ao texto, à fala, ao gesto. Sim, o poema diz mais, muito mais. Muito mais de mim do que eu gostaria de contar. Mas vá lá! E como um amigo disse, não presta justamente porque não estou seguro dele.
Ouvi todo tipo de comentário, mas poucos. Dois elogiosos em especial de amigos vitais, Maurício Kanno e Cláudio Godoy – se há inimigos mortais, por que não? Mas esperava divulgação. Arauto. Parece, todavia, que pouca gente se interessou em mostrar a outrem, quanto mais propagar. Se bem que eu recebi alguns pedidos de adição no Orkut, o que parece um bom sinal.
Um abraço aos que lêem, todos provavelmente da minha mais suprema estima. E se ainda não somos amigos, acredito – eu, que um dia esqueci o valor de não conhecer fronteiras, como Hermes, que visitava os Infernos quando quisesse – que logo seremos. Ainda sobre o poema e o resto dos meus conturbados rumos, como dizia Caio Fernando Abreu, “depois de várias tempestades e naufrágios, o que sobra de mim é cada vez mais essencial e verdadeiro”.
[PS (Pronto-socorro?): Quem souber a citação exata da pérola, é favor indicar;-)]
Olá, Dimas.
Fiquei surpresa com tua resposta-post poética e inesperada. Confesso que o que mais me surpreende em você é o contraste entre a tua consciência, que me parece já discernir muito bem entre os caminhos em direção à paz e outros possíveis, e o seu tom “marcia tiburi”, que tende muito à intelectualidade pela intelectualidade. Talvez de alguma forma eu me identifique também.
Eu me dei a liberdade de aprofundar a leitura do poema e comentá-lo aqui, porque acredito que devamos expressar o que vem do coração, sempre que possível. E me senti à vontade.
Com a frase do Caio, você disse tudo: temos sempre momentos na vida de tempestades fortíssimas, e acredito que aproveitar a chuva signifique também saber abrigar-se quando o que estiver descoberto não for o melhor lugar para se estar.
E a escrita é o nosso próprio corpo revelando sobre a gente. O tempo todo, e mesmo quando consideramos estarmos mudos sobre qualquer revelação indesejada. Felizmente ou infelizmente rs…
Gosto da nossa troca literária.
Gde abraço,
Fernanda
Fernanda Franco
1 set 08 at 18:48
Eu adoro. É sublime.
E há poucas assim.
A resposta veio num repente. Aos que odeiam a palavra inspiração – depois que Sócrates destruiu Íon (eis um fato curioso) –, eu diria que ela veio… naturalmente.
Obrigado pela re-resposta. Eu estou mesmo tentando escrever, como você aconselha, sem medo de formato. (andei todavia pensando assim, num formatinho simples, poucos parágrafos diários… hehehe)
Abc do
D.
Dimas Gomez
1 set 08 at 19:11