Com vocês, Celso Unzelte: “Porque a culpa é do Corinthians!”

Celso Unzelte em entrevista ao 1º Jô D - Fac. Cásper Líbero, turma 2009 de jornalismo.
Foto: Dimas Gomez
O neto da dona Irma, morador do bairro do Ipiranga, era um menininho introspectivo que não sabia a diferença entre um lateral e um escanteio. Aprendeu sobre futebol para entrar na conversa com o manual do Zé Carioca e jornalismo nos porões da editora Abril. Trabalhou em domingos de nerdismo sem namorada e construiu uma carreira das mais respeitadas, tão próxima do futebol. Escreveu o Almanaque do Timão, entre outros, e agora dá aulas para as futuras gerações, com a casa paga e o Carrefour também.
Celso Unzelte não é escritor. Não é historiador. Não pode ser professor senão como assistente. Celso Unzelte é jornalista. Mas escreveu grandes livros, contou a história do Corinthians, para muitos, como ninguém e é considerado o melhor professor do curso de jornalismo da Cásper Líbero – pelo menos para uma grande parte de seus alunos, “talvez atrás do Luís Mauro” Sá Martino, como diz a boca pequena, apenas e somente porque este é mais rígido na correção dos trabalhos.
“Não sou escritor. Sou jornalista. E [escrevo o que] acho mais útil. Muito quem, onde, quando, porquê. Muito lead. É uma preocupação com a informação. No prefácio do Almanaque do Timão, que foi o primeiro livro que eu cometi, explico que aquele livro nasceu de duas necessidades. Uma de quando era criança e ouvia no rádio sempre assim: ‘acaba de ser escrita mais uma bela página na história do Corinthians’ e eu queria ver onde é que estava essa página, quis escrever o livro. Quando virei jornalista, perguntas óbvias ninguém me respondia, como por exemplo quantos gols fez o Rivelino. Então fui lá, contei e fiz o livro. Minha abordagem é muito em cima dos fatos, embora não seja factual, isto é, no calor dos acontecimentos. [São] as perguntas que um bom jornalista deve fazer, nos seus mínimos detalhes.”
Nesse tom descontraído, mas de gente séria que não despreza nem a memória, nem o respeito, que Celso Unzelte toca a coletiva, mais oferecida que imposta aos curiosos alunos da turma de 2009 (do primeiro ano), que vêm arrancando confissões por aí. Por exemplo, da antropóloga Sandra Goulart e do sociólogo Sérgio Amadeu. Sossegado nas respostas, gesticulante para as fotografias, com um carinho paternal nitidamente paulistano, quem sabe à italiana, vai levando as dúvidas em meio às leves provocações (qual foi a sua maior vergonha? – “meu avô dizinha que vergonha é roubar e não poder carregar”) e uma fila de gravadores digitais. “Eu sou do tempo daqueles que ficavam rodando”, afirma, jocoso, mas jamais lacônico. “Se tem uma coisa que eu não sou é lacônico”.
Enxerga, hoje, um jornalismo futebolístico melhor, esportivo até. “Os novos meios possibilitaram campos de trabalho e perfis de profissionais com maior acesso à informação. Antes, na minha época, os veículos eram muito restritos”, eram “praticamente feudos”. A abordagem agora é mais ampla, no sentido cultural, sociológico… “eu vejo a imprensa do futebol em franca evolução justamente por causa dessas mídias novas e das cabeças dos novos jornalistas”.
A modéstia foi e voltou, e ele só aceitou ser professor graças ao convite insistente do professor Carlos Roberto da Costa, que por muitos anos trabalhou com ele na Abril. Nem a didática é dele: “Minha didática é hereditária”. E a modéstia acompanha alguma culpa. Uma vida “fácil”. Teve sorte até ao entrar para a Cásper Líbero, no resultado de uma série de demissões por conta de uma greve. Ele diz que o anjo da guarda aconselha: “um dia você vai pagar por isso”. Mas fazer o quê? Eram estimados dele os que saíram. Sua vocação sempre foi a revista. Um texto pensado, bem escrito, depois da tempestade. Ressente um pouco ter sido tão pouco repórter de sapatos sujos, muita redação. Mas escrever bem, nesse caso, é mesmo uma maldição. “A mensagem escrita ativa mais”. De outro lado, “nunca gostei de entrevistar jogador suado no vestiário”.
Sua escola foi a Abril. “Aprendi muito lá pela simples razão de que eu entrei sem saber nada”. O jornalista, afirma, “alguma formação tem que ter”. “Eu tenho a idéia maluca de transformar o curso de jornalismo num curso complementar”. Contra qualquer tipo de censura: “Se você não controla a ética na política, vai controlar no jornalismo”? A favor da auto-regulação.
Sobre o Corinthians – o título desta é a explicação de todas as ausências paternas para sua filha, para quem a culpa não é do Fidel, mas da Fiel –, relembra a comemoração colossal de 1977, quando já, corinthiano como o pai, o sr. Dario, ficou ainda mais alvinegro: “23 anos em 7 segundos”. E se tem uma coisa que eu sinto falta é fazer uma Copa do Mundo, mas brinca com o sorriso escancarado que em 2014 tá garantido. Sincero, pelo bem da verdade, afirma que resta à “população rezar para que isso acelere as obras do Metrô”…



O fato de só ter mulheres (tirando o Renato) foi um mero acaso!
Dimas Gomez
20 jun 09 at 16:32
Oi, Dimas!
Vai lá no meu blog ver a última cosia que escrevi e, por favor, comente (de verdade) se possível.
Outra coisa: volte a ser literário! Só tem coisa ‘chata’ nas últimas postagens! Abandonou a arte, foi?
Carol
28 jun 09 at 0:25
Lê,
a vida anda. E eu preciso escrever de tudo. E desculpe se a chatisse assoma. Eu queria mudar esse blog pra ser menos chato de acessar por quem já procura isto ou aquilo. Sem falar na demora pra publicar… Aceitando idéias!
Beijo,
Dimas.
Dimas
17 out 09 at 12:28