Archive for the ‘Poemas’ Category
O Tagarela
Chega, não digo mais nada.
Não vou te perturbar mais
com minhas inquietações semiliterárias.
Vou falar com a minha mão.
Eu sempre digo isso a ela
e ela sempre ri gostoso, indignada.
Remendo da Fidelidade
Amo você. E com tal zelo e sempre e tanto,
que me perco em tristezas e prantos,
em dores, desmazelos.
Amo você. Andei tramando por aí,
todo o tipo de mesquinharias,
abertas e sem tempero.
Porque amo mesmo você.
E isso não dá espaço pra palhaçadas…
Não sei como você consegue,
mas tudo o que eu tenho tentado,
só tem me dado mais desespero.
Reflexões sobre o fazer-nada
1.
Todos me dizem para falar menos e fazer mais, mas quem fala geralmente não faz. E ajudaria mais se não falasse nada.
2.
O que impede a ação, não sei se é medo, apatia, ou falta de fé.
3.
Numa mobilização, é fácil convencer os ingênuos e os crentes - que não são necessariamente os mesmos, mesmo que o crente frequentemente seja ingênuo e o ingênuo seja crente; o que acontece é que os demais não acreditam nos outros, ou não têm fé em si mesmos.
4.
O próprio reconhecimento
do próprio egoísmo
é forte indício
para não se acreditar em mais ninguém.
Pequeno Príncipe e o Elefante Fabricado

Fonte da Imagem: Facebook de Gilberto da Silva Francisco
A vida muda toda vez
que algo me acorda
que eu me recordo
que o elefante, mesmo que fabricado,
sempre cabe numa jibóia.
–
Copyleft: “Leva embora”
, como diz o @samadeu
Bem-te-vi
Nesses tempos de fim, assomam de repente – me dá uma dor no peito, na cabeça, na memória.
Dói na têmpora direita, ele comprime, a cara transtorna. Estrelas.
Esfrego todo, o cabelo, a orelha, caretas nipodemoníacas. Claro e nebuloso que a dor não passa. Passarim passará.
Voou. Voou. Pra nunca mais voltá. Que volte não, eu num quero, nunca-jamais. Passarim fora do nim é di vuá. Gaiola não sou. Nunca que sou. A flor abril. A dor de meu bem é certa, mas há di passá. Passarim passará.
Achava que te amava

Sabe… eu achava que te amava. Achei que te amava quando vi um cabelo cor de psicodélico cobre com pontas cor de laranja.
Achei que te amava quando mordia os dedos e escrevia torto, com os seus garranchos enormes.
Achei que te amava, então, mais ainda, quando achei que amor não devia ser aquela coisa simples que a gente tinha.
Desconfiei que te amava quando você pegou na mão minha e a gente se beijou no Beijo do Picaso.
Duvidei dessa história de amor cada vez que a gente admitia: que queria um ao outro e pronto, sem nenhuma simpatia.
Com os anos, percebi que amor não é dado: a gente acha e vai achando… quando muito, na briga de cada dia.
E que se existem outros amores, talvez eu até saiba disso, não me importa:
Eu já sabia.
Obra Prima ou Tristeza da Saudade
O tempo passou,
A estrada árdua que eu escolhi ficou vazia.
Alguns amigos ainda me visitam,
céleres pelas vielas fáceis e estradas corredias.
Foi burrice?
Talvez, porque de nada vale uma estrada azeda e fria,
ou quente ausente;
dá na mesma.
Talvez todos os meus amigos e inimigos estejam
tão sozinhos quanto eu.
Pelo menos se enganam,
ou engano meu?
De fato, o fogo fátuo das filosofias
no meu peito se perdeu:
Não tem mais chama!
A baboseira toda enferrujou o altar de ferro
e a lama, cobriu a jade, o rubi e a esmeralda,
e o peregrino se fodeu.
Sobrou lá umas idéias, outras, diferentes.
De como ser diferente, deveras, entre os iguais,
de qualquer tipo, raça, idéia, quais,
não vale a pena dizer que de tudo o que se tira,
ficou a dor do século das luzes ser nos umbrais.
E da certeza de que se vida é duração
- uma vela acesa -;
é no calor da queima,
prolongada e segura,
que fica o trabalho, que faz da vida,
- o tempo não pára,
não retrocede,
A memória é certa, como a morte -
que faz da vida,
uma obra prima.
Ao Felipe Carvalho
Forjado nos frios siberianos.
Hecho de hielo. Ojos de hierro.
Forte.
Ora vigoroso e estúpido
à semelhança de um cavalo,
ora sensato e saco-de-batata…
ruffles.
Um bom mujique cearense,
nunca pegar numa enxada.
Bar próprio?
Bêbedo, um palhaço sensível.
Duro, todavia líquido.
Mistério insondável.
Gitano de alma,
meu irmão.
Tamo tanto

À Bruna Moliga.
Por Dimas Gomez.
Tamo tanto…
e brigamo tanto
e falamo tanto
só não transamo tanto.
é pena que a gente ainda pareça criança
e durma cada um na sua casa e na sua cama
é pena que a gente pareça cão e gato
e se machuque tanto sem ter nosso ninho
os novelos
os brinquedos
as patadas
unhadas.
meu bigode procura o teu perfume
eu chacoalho a patinha
e dou um pulo:
vc me ama?
Miau.
Meu quarto Ou O sono, o amor, a vida.
Angels Dream In Whispers 8 de Akif [Hakan] CELEBI
Meu Quarto Ou O sono, o amor, a vida.
Por Dimas Gomez.
Por muito tempo dormi sonhos profundos e reais.
E no brotamento aquático veio o Pesadelo:
–o sono não se controla–
O leão pulou sobre mim e…
(O coração se acostumou a calar escondido numa gaveta qualquer.)
… acordei.
Sonado inesperto trôpego,
Fechei as venezianas –ou deixei fechadas,
retranquei a porta, que agora eu tinha –ou redeixei trancada.
Percebi o amor crescendo em folha;
(o coração desaprendeu o alfabeto)
e a luxúria que já estava lá –sempre há hEras sempre.
Tento arrumar o quarto:
a cama, as mesas, os papéis, os planos –é impossível deixar como está.
Mas a bagunça vem de dentro –onde porei o Caos?
a veneziana continua fechada
e já está mesmo na hora de almoçar.
— Amanhã.
.jpg)
