Archive for the ‘Minicontos’ Category
O notebook novo
Mas pra quê esse notebook, filho?
Posso levar pra escola!
Mamãe ficou horrorizada.
O velho chat de Adão e Eva
Brás Cubas: ………………………………. =)
Virgília: ……?
Brás Cubas: @)——-v———
Virgília: =D
Brás Cubas: ……………………………………
Virgília: @%¨*@%¨*#¨%*!!!!
Brás Cubas: =(
Virgília: …………………………………!!!!!
Virgília: …
Brás Cubas: ………………………………
Virgília: =P
Brás Cubas: =P
Soco no Espelho
Por Dimas Gomez.
Ela veio tremendo. A mão cortada de sangue, de caco de vidro, de espelho, de lâmpada. A dor era de sangue escorrendo, latejando, fraquejando as pernas bambeantes de choro dolorido. Ela não queria ligar pro hospital. Não era louca. Não era. Era tristeza, era raiva, era decepção. Era traição encardida de escarlate. Mas o espelho é que sofreu, a lâmpada que no susto estourou, como se fosse o copo de cristal de um grito surdo, que a luz preenchia. E o copo de luz apagou, e ela veio tremendo. Tremendo de susto do sangue despejado, despejante, dorente.
Ela entristeceu o corredor, a sala, com sangue no carpete de madeira tão querido e cuidado. E veio. E o ódio e a humilhação vieram juntos. O vinho veio também, já bebido e embebido, vermelho e lancinante, na garrafa agora também derramada, porque tropeçar no mogno da mesa de tampo de vidro era até redenção. Mas a redenção não veio. Tampo trincado, garrafa rolada, vinho vertendo pela boca. Bocarra. Assim esculpida a cena triste, ela sentou no sofá e desistiu de usar a mão-mais-forte pra melindrar toda aquela raiva. Numa nova tentativa de carinho ofertado, desistiu da destruição na carícia de pegar o telefone. A mão fraca, fracamente, discou.