Archive for the ‘A Minha Produção’ Category
Seus Olhos
Se Capitu existiu, eu não sei.
Sei que existem uns olhos que mudam de cor,
uns olhos certos que não gostam muito de sol não,
que vivem um dia a dia de luz, intenso,
de um seco sertão que não é tão seco assim não.
Ainda mais porque o beijo molhado refresca, reaviva,
a pedra, pedra de rio, pedra de rim, a pedrada do seco sertão não dói em mim.
Loura pele dourada, porque a água dos teus olhos rega minh’alma, me cresce em verso, me salta em alegria e um desejo de paz… de rede, de varanda, de al-ta-ne-ri-a…
Simples, de campo, caerianamente,
sem soberba, sem dor, sem tristeza,
sem nada além de Ci.
Esse coração paulistano verga
frente o pendor de
ser tão sertanejo de amor,
do alto, altivo e altaneiro vigésimo quarto andar,
no úmido frio da Ipiranga co’a São João,
na Bela Vista do Bom Retiro:
Sedento da tua beleza de flor dourada
de ninfa sapeca, moleca danada,
gata arisca, gata brava,
eu bebo nos teus olhos e me aprumo,
eu-cinza, eu-negro, eu-pó, eu-fumo.
Gatinha Arisca
Você chegou arranhada
gata arisca
gata brava
novinha demais pra tanta dor.
Linda,
me deu a mão
cedeu a cabeça
confiou o corpo no meu abraço
deitou a alma na minha.
De pelagem nova,
os bigodes saindo,
quero te ver toda brincalhona de novo
Mais forte, mais ágil,
Mais minha.
Mendigo Bêbado Fodido
Amarguei uma hora ontem, com um mendigo no chão, na Rua Martins Fontes (entre o Bar Estadão e onde ficava o Diário Popular), no frio, no meio dos abutres.
O SAMU não vinha.
O cara é morador de rua, bebaço.
Um branquelo azedo bateu nele de dentro do carro, na Martins Fontes, e foi embora.
Caiu no meio da rua, imóvel e desacordado.
Sangrando horrores.
Arrastaram pra calçada.
Liguei pro SAMU.
Confirme telefone. Morador de rua. Bêbado. Vítima de violência. Batida na cabeça. Consciente.
Chamada de emergência. 54 chamadas de prioridade máxima na madrugada.
Falei com a polícia civil. Deu uma olhadinha e foi embora.
Falei com a PM. Esse cara sempre dá problema. “Você é médico por acaso? É da saúde, pra saber que é caso de SAMU?” O pior é que eu trabalho na Saúde, seu PM do caralho.
O mendigo levantou e me pediu um real. Neguei mesmo. Pra chegar em casa, dei 10 pro taxista.
— My name is Wilson. I am australian. I need two reals.
— Actually… are you a teacher two?
If I get these two scumbags, I’ll kick their asses.
Ninguém roubou o chinelo dele. Ninguém levou o radinho dele, nem o fone. Nem ele, nem o sangue, nem a garrafa de vinho. Minto, a garrafa de vinho sumiu. E sobrou a de água, com três dedos no fundo.
A Educação, por Viviane Mosé
Viviane Mosé invoca Morin pra explicar a crise problema-solução (veneno-remédio) da educação. Vale a pena!
Cia do Miolo na Ladeira da Memória
Numa sexta-feira, passando às pressas pela Ladeira da Memória, me deparo com a Companhia do Miolo num fim de apresentação. Figurino, música, violões.
Saquei a Canon. Iam repetir o número! Comecei a cobrir. E não é que fizeram um musical inteiro? Enchi o cartão da câmera (a ponto de começar a apagar umas pra tirar outras) e o braço doía - não parei nem pra tirar a mochila das costas.
Abaixo, uma prévia das demais (Clique para acessar o álbum no Flickr.):
Reflexões sobre o fazer-nada
1.
Todos me dizem para falar menos e fazer mais, mas quem fala geralmente não faz. E ajudaria mais se não falasse nada.
2.
O que impede a ação, não sei se é medo, apatia, ou falta de fé.
3.
Numa mobilização, é fácil convencer os ingênuos e os crentes - que não são necessariamente os mesmos, mesmo que o crente frequentemente seja ingênuo e o ingênuo seja crente; o que acontece é que os demais não acreditam nos outros, ou não têm fé em si mesmos.
4.
O próprio reconhecimento
do próprio egoísmo
é forte indício
para não se acreditar em mais ninguém.
Pequeno Príncipe e o Elefante Fabricado

Fonte da Imagem: Facebook de Gilberto da Silva Francisco
A vida muda toda vez
que algo me acorda
que eu me recordo
que o elefante, mesmo que fabricado,
sempre cabe numa jibóia.
–
Copyleft: “Leva embora”
, como diz o @samadeu
Egon, my friend
Publico a foto do amigo, tosca e mal tirada, por puro capricho. Provavelmente não interessará a ninguém, talvez nem ao bonitão acima. Então me utilizo do autoritário poder sobre esta midiazinha chã. A razão são dois fins de semana pensando em publicar a desfocadinha.
Um abraço.
–PS: Talvez, mais adiante, ajunte algo à foto.
Independência & Liberdade
Pouco importa que os primeiros passos pareçam pequenos. Aquilo que se faz bem feito se faz para sempre.
(Thoreau,D.H: civil disobedience and other essays. New York.Dover Publications, Inc. 1993, p.09. citado em Pensata Animal)
Aos meus,
Este trabalho foi fruto de uma labuta rara, talvez a primeira, dentro de um tópico tão específico. Foi pra valer.
A epígrafe tirei deste artigo de Leon Dennis, professor pioneiro em ensinar ética animal (vegana) nas escolas estaduais. Me deu ânimo pra levar adiante o meu próprio modo rigoroso de fazer as coisas.
Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa tiveram papel central na Independência, ao lado, ou melhor, do outro lado do jogo político de José Bonifácio, o Patriarca.
Publico aqui, afinal é meu personal broadcast, meu querido trabalhinho de História da Comunicação. É humilde, mas fui bastante rigoroso, então serve talvez a outros exploradores que vierem a seguir.
Ainda não compreendo as boundaries entre os métodos jornalístico e científico, então não vou classificar.
Comentários serão muitíssimo bem recebidos. Aos mais interessados, o paper e a apresentação, claro, são apenas a ponta do iceberg da minha humilíssima pesquisa.
Um abraço,
Dimas Gomez.
O notebook novo
Mas pra quê esse notebook, filho?
Posso levar pra escola!
Mamãe ficou horrorizada.


