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Archive for the ‘Jornalismo’ Category

Mendigo Bêbado Fodido

Amarguei uma hora ontem, com um mendigo no chão, na Rua Martins Fontes (entre o Bar Estadão e onde ficava o Diário Popular), no frio, no meio dos abutres.

O SAMU não vinha.

O cara é morador de rua, bebaço.

Um branquelo azedo bateu nele de dentro do carro, na Martins Fontes, e foi embora.

Caiu no meio da rua, imóvel e desacordado.

Sangrando horrores.

Arrastaram pra calçada.

Liguei pro SAMU.

Confirme telefone. Morador de rua. Bêbado. Vítima de violência. Batida na cabeça. Consciente.

Chamada de emergência. 54 chamadas de prioridade máxima na madrugada.

Falei com a polícia civil. Deu uma olhadinha e foi embora.

Falei com a PM. Esse cara sempre dá problema. “Você é médico por acaso? É da saúde, pra saber que é caso de SAMU?” O pior é que eu trabalho na Saúde, seu PM do caralho.

O mendigo levantou e me pediu um real. Neguei mesmo. Pra chegar em casa, dei 10 pro taxista.

— My name is Wilson. I am australian. I need two reals.

— Actually… are you a teacher two?

If I get these two scumbags, I’ll kick their asses.

Ninguém roubou o chinelo dele. Ninguém levou o radinho dele, nem o fone. Nem ele, nem o sangue, nem a garrafa de vinho. Minto, a garrafa de vinho sumiu. E sobrou a de água, com três dedos no fundo.

Sobre a Importância da Versão

Por Dimas Gomez em 7 de março de 2010 às 16h51

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Por Dimas Gomez em 31 de outubro de 2009 às 02h24

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Com vocês, Celso Unzelte: “Porque a culpa é do Corinthians!”

Celso Unzelte em entrevista coletiva ao 1º Jô D
Celso Unzelte em entrevista ao 1º Jô D - Fac. Cásper Líbero, turma 2009 de jornalismo.
Foto: Dimas Gomez

O neto da dona Irma, morador do bairro do Ipiranga, era um menininho introspectivo que não sabia a diferença entre um lateral e um escanteio. Aprendeu sobre futebol para entrar na conversa com o manual do Zé Carioca e jornalismo nos porões da editora Abril. Trabalhou em domingos de nerdismo sem namorada e construiu uma carreira das mais respeitadas, tão próxima do futebol. Escreveu o Almanaque do Timão, entre outros, e agora dá aulas para as futuras gerações, com a casa paga e o Carrefour também.

Celso Unzelte não é escritor. Não é historiador. Não pode ser professor senão como assistente. Celso Unzelte é jornalista. Mas escreveu grandes livros, contou a história do Corinthians, para muitos, como ninguém e é considerado o melhor professor do curso de jornalismo da Cásper Líbero – pelo menos para uma grande parte de seus alunos, “talvez atrás do Luís Mauro” Sá Martino, como diz a boca pequena, apenas e somente porque este é mais rígido na correção dos trabalhos.

“Não sou escritor. Sou jornalista. E [escrevo o que] acho mais útil. Muito quem, onde, quando, porquê. Muito lead. É uma preocupação com a informação. No prefácio do Almanaque do Timão, que foi o primeiro livro que eu cometi, explico que aquele livro nasceu de duas necessidades. Uma de quando era criança e ouvia no rádio sempre assim: ‘acaba de ser escrita mais uma bela página na história do Corinthians’ e eu queria ver onde é que estava essa página, quis escrever o livro. Quando virei jornalista, perguntas óbvias ninguém me respondia, como por exemplo quantos gols fez o Rivelino. Então fui lá, contei e fiz o livro. Minha abordagem é muito em cima dos fatos, embora não seja factual, isto é, no calor dos acontecimentos. [São] as perguntas que um bom jornalista deve fazer, nos seus mínimos detalhes.”

Nesse tom descontraído, mas de gente séria que não despreza nem a memória, nem o respeito, que Celso Unzelte toca a coletiva, mais oferecida que imposta aos curiosos alunos da turma de 2009 (do primeiro ano), que vêm arrancando confissões por aí. Por exemplo, da antropóloga Sandra Goulart e do sociólogo Sérgio Amadeu. Sossegado nas respostas, gesticulante para as fotografias, com um carinho paternal nitidamente paulistano, quem sabe à italiana, vai levando as dúvidas em meio às leves provocações (qual foi a sua maior vergonha? – “meu avô dizinha que vergonha é roubar e não poder carregar”) e uma fila de gravadores digitais. “Eu sou do tempo daqueles que ficavam rodando”, afirma, jocoso, mas jamais lacônico. “Se tem uma coisa que eu não sou é lacônico”.

Enxerga, hoje, um jornalismo futebolístico melhor, esportivo até. “Os novos meios possibilitaram campos de trabalho e perfis de profissionais com maior acesso à informação. Antes, na minha época, os veículos eram muito restritos”, eram “praticamente feudos”. A abordagem agora é mais ampla, no sentido cultural, sociológico… “eu vejo a imprensa do futebol em franca evolução justamente por causa dessas mídias novas e das cabeças dos novos jornalistas”.

A modéstia foi e voltou, e ele só aceitou ser professor graças ao convite insistente do professor Carlos Roberto da Costa, que por muitos anos trabalhou com ele na Abril. Nem a didática é dele: “Minha didática é hereditária”. E a modéstia acompanha alguma culpa. Uma vida “fácil”. Teve sorte até ao entrar para a Cásper Líbero, no resultado de uma série de demissões por conta de uma greve. Ele diz que o anjo da guarda aconselha: “um dia você vai pagar por isso”. Mas fazer o quê? Eram estimados dele os que saíram. Sua vocação sempre foi a revista. Um texto pensado, bem escrito, depois da tempestade. Ressente um pouco ter sido tão pouco repórter de sapatos sujos, muita redação. Mas escrever bem, nesse caso, é mesmo uma maldição. “A mensagem escrita ativa mais”. De outro lado, “nunca gostei de entrevistar jogador suado no vestiário”.

Sua escola foi a Abril. “Aprendi muito lá pela simples razão de que eu entrei sem saber nada”. O jornalista, afirma, “alguma formação tem que ter”. “Eu tenho a idéia maluca de transformar o curso de jornalismo num curso complementar”. Contra qualquer tipo de censura: “Se você não controla a ética na política, vai controlar no jornalismo”? A favor da auto-regulação.

Sobre o Corinthians – o título desta é a explicação de todas as ausências paternas para sua filha, para quem a culpa não é do Fidel, mas da Fiel –, relembra a comemoração colossal de 1977, quando já, corinthiano como o pai, o sr. Dario, ficou ainda mais alvinegro: “23 anos em 7 segundos”. E se tem uma coisa que eu sinto falta é fazer uma Copa do Mundo, mas brinca com o sorriso escancarado que em 2014 tá garantido. Sincero, pelo bem da verdade, afirma que resta à “população rezar para que isso acelere as obras do Metrô”…

Um fragmento do 1º Jô D, durante a 'coletiva'.
Um fragmento do 1º Jô D, durante a ‘coletiva’.
Foto: Dimas Gomez

Por Dimas Gomez em 20 de junho de 2009 às 00h23

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Independência & Liberdade

 

Pouco importa que os primeiros passos pareçam pequenos. Aquilo que se faz bem feito se faz para sempre.

 

(Thoreau,D.H: civil disobedience and other essays. New York.Dover Publications, Inc. 1993, p.09. citado em Pensata Animal)

Sinopse:
Curto trabalho de cunho acadêmico sobre Joaquim Gonçalves Ledo e Januário da Cunha no processo de Independência do Brasil, focado em 1821 a 1823, produzido para o Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero sob a orientação do prof. dr. Carlos Roberto da Costa. Neste link está o paper e aqui a apresentação em slides. Fornecerei logo mais o áudio da apresentação em sala. Deixe um comentário, por favor. 

 

Aos meus,

Este trabalho foi fruto de uma labuta rara, talvez a primeira, dentro de um tópico tão específico. Foi pra valer.

A epígrafe tirei deste artigo de Leon Dennis, professor pioneiro em ensinar ética animal (vegana) nas escolas estaduais. Me deu ânimo pra levar adiante o meu próprio modo rigoroso de fazer as coisas.

Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa tiveram papel central na Independência, ao lado, ou melhor, do outro lado do jogo político de José Bonifácio, Patriarca

Publico aqui, afinal é meu personal broadcast, meu querido trabalhinho de História da Comunicação. É humilde, mas fui bastante rigoroso, então serve talvez a outros exploradores que vierem a seguir.

Ainda não compreendo as boundaries entre os métodos jornalístico e científico, então não vou classificar. 

Comentários serão muitíssimo bem recebidos. Aos mais interessados, o paper e a apresentação, claro, são apenas a ponta do iceberg da minha humilíssima pesquisa.

Um abraço,
Dimas Gomez.

Parafraseando Chateaubriand

Conta-se que certa vez Chateaubriand mandou um jornalista seu cobrir a guerra:

– Vai lá e traz a reportagem, mas ó… não vire notícia!

Por Dimas Gomez em 19 de fevereiro de 2009 às 15h18

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